• Fabiana de Luna

Ter diabetes e morar na Inglaterra!


DIABETES E VIAGENS - NÃO TENHA MEDO DE MUDANÇAS!

Quem não sonha ir para a Inglaterra, aprimorar o Inglês, enfim... é um destino muito procurado por pessoas do mundo inteiro!

Conheci o Rodrigo através do Face!!!

Super simpático, logo se prontificou a contar sua experiência na terra da Rainha!

E o que mais me chamou a atenção foi a trajetória no tratamento do Rodrigo. Ele já passou por muitas experiências difíceis, um caso muito particular!

Vamos conhecer um pouco mais, do Rodrigo, e de como é o tratamento do Diabetes na Inglaterra?

Dia(enoite)bética: Fale um pouco sobre você, de onde é, o que faz, etc...

Eu sou o Rodrigo Mendonça, tenho 39 anos. Nasci em São Paulo/capital, na zona norte (Casa Verde). Sou formado em Ciências da Computação e Engenharia informática.

Dia(enoite)bética: Nos conte um pouco sobre sua vida e o diabetes:

Bem, quando eu tinha 18 anos, descobri que eu era DM1, de repente. Uma prima muito chegada faleceu repentinamente. Eu sofri muito calado, não desabafei. Depois de uns meses, lembro comecei a ter muitas dores de cabeça, conversei com minha mãe sobre (ela era enfermeira do Hospital Sírio Libanês), então ela marcou uma consulta com uma médica homeopata. Fui nessa consulta, fiz uns exames de sangue e urina e depois no retorno ela só me deu umas "bolinhas", para engolir.

Depois no final de semana, bebia água toda hora e fazia muito xixi. Minha mãe ficou preocupada e comentou com um médico do hospital. Ele pediu para ver o resultado do exame de urina e estava lá: glicose.

A homeopata, não viu. Retornei novamente e estava com 290 de glicemia. Comecei a tomar as insulinas NPH e R. Atualmente, utilizo Lantus e Humalog para o tratamento da DM1.

Dia(enoite)bética: Quando decidiu mudar de país, já era diabético? O diabetes te influenciou na decisão de alguma forma? Teve algum receio de viver em um outro país tendo DM?

Quando resolvi mudar de país pesquisei primeiro se eu teria acesso à saúde, se seria pública ou privada. Não tive receio porque em 2010, mudei-me para Portugal e lá tive acesso a tudo que eu precisava. Foi em Portugal que eu descobri que já tinha problema renal e comecei o meu tratamento com medicamentos e depois de alguns anos, a fazer Diálise Peritoneal. Em 2015, fiz um transplante de rim e pâncreas e correu bem, mas quando me mudei para Londres, apanhei uma infecção muito grave nos pulmões e tive que iniciar um tratamento que acabou levando a rejeição do pâncreas em Julho/2016. Depois disso, o rim começou a perder função e em fevereiro/2017, iniciei o tratamento de "Home Hemodialysis", ou seja, faço Hemodiálise em minha casa. O Governo instala a máquina em sua casa e te treina para saber fazer as sessões em casa.

Dia(enoite)bética: Você precisa comprar insulinas no país onde reside? Ou recebe os insumos do governo?

Não gasto dinheiro com nada. Todos os medicamentos são gratuitos para quem possui doenças crônicas específicas . Eu só preciso da prescrição médica e ir até a farmácia retirar as insulinas e os outros medicamentos.

Dia(enoite)bética: Como faz o acompanhamento da sua DM no novo país. como é encontrar o medico, existe equipe multiprofissional, é publico ou particular, quanto custa uma consulta...

Aqui podes ir ao posto de saúde - chamado de GP - onde terás acompanhamento da DM1, entre outras coisas. Terás um médico de família, ele será responsável pela sua saúde e de toda a sua família. No caso de ser diabético, ele te encaminha para a enfermeira de diabetes e ela te acompanhará. Se precisar de ver o podólogo, ela te encaminha e assim por diante. A saúde é pública, chamada NHS (Nacional Health Service), onde para quem vive aqui legalmente, trabalha, pagas os impostos, terá acesso gratuito. Sobre valores de consultas, eu não tenho ideia. Se um turista vier pra cá e precisar utilizar, ele irá pagar e bem caro. Portanto, se pensam em vir para UK, contratem um Seguro saúde de viagem, para evitar gastos.

Dia(enoite)bética: Achou fácil obter ajuda, orientação, etc, aí?

Se for uma pessoa legalizada no país, só precisa ir ao GP país próximo de sua casa, fazer a sua inscrição, depois de 5 dias já poderás marcar consultas. Pra mim foi fácil, ainda mais que tenho inglês fluente. Em casos de pessoas que não saibam a língua, eles possuem intérpretes para ajudar.

Dia(enoite)bética: Como é controlar o diabetes num país que cuja culinária é tão diferente da nossa...

Nós cozinhamos em casa, mantenho a mesma dieta que aprendi em Lisboa. Há de tudo nos supermercados, só saber fazer a melhor e saudável escolha. Às vezes comemos alguma besteira industrializada, mas a comida deles aqui é muito picante, eles adoram colocar Curry, pois há muita influência da Índia (ex-colônia da Inglaterra), entre outras pessoas que vieram das ex-colônias (árabes, Paquistão, Filipinas, Índia, China, Turquia e etc), ou seja, atualmente a comida é uma grande mistura cultural.

Dia(enoite)bética: Se mora sozinho... Como é viver sozinho em outro país tendo diabetes. Algum medo? Você avisa seus amigos, vizinhos sobre o diabetes e como socorrer em uma situação adversa?

Eu sou casado. Vivemos juntos há 7 anos, mas nos casamos há 2 anos. Meu marido (sim, sou gay), é enfermeiro e ele tem total ciência sobre a doença e já me salvou de muitas hipoglicemias de madrugada. Da última vez, ele chamou a ambulância e me deram aquela injeção de glicose intramuscular.

Dia(enoite)bética: Uma mensagem pra quem deseja fazer intercâmbio ou mudar de país tendo diabetes?!

Se pensam em fazer intercâmbio ou viver aqui na Inglaterra, tenham visto. Há muitos brasileiros ilegais que não possuem acesso à saúde, ou utilizam documentos falsos e etc. Não sejam irresponsáveis como essa gente... apliquem para o visto de estudo e procurem por seguro saúde de viagem, pelo tempo de duração do visto. As leis mudaram e agora os estudantes não possuem acesso gratuito ao NHS, somente aquele que vieram fazer um curso de graduação, faculdade, mestrado e tem que ser longo.

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