Conheça a autora

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Fabiana de Luna

37 anos, nascida em Santa Rita do Sapucaí - MG, e residindo no estado de São Paulo desde 2006.

Formação

Engenharia Elétrica/Telecomunicações (INATEL)

MBA em Gestão da Inovação Tecnológica (UNICAMP)

Especialização em Engenharia Clínica (Hospital Israelita Albert Einstein)

Capacitação em Gerenciamento de projetos (Fundação Vanzolini)

Interesses

Tecnologia, saúde, música, espiritualidade, diabetes, línguas, viagens e cozinha.

Diagnóstico e vida com o Diabetes:

Tive o diagnóstico de meu diabetes (Tipo 1) em janeiro de 1993, durante as férias.

Era uma criança normal, tinha uma alimentação saudável, e também gostava de doces tanto quanto gostava de esportes. Era muito ativa.

Estava no sítio dos meus avós, durante as festas de final de ano e aniversários, e os sintomas se intensificaram: muita sede, fome, cansaço, náuseas, emagrecimento repentino, poliúria (muito xixi), enfim... Lembro de acordar de madrugada e beber uma garrafa de água que estava no congelador, no gargalo, tamanha a sede que sentia.

Minha avó, que é diabética tipo 2, alertou minha mãe sobre aqueles sintomas, e então fomos ao pediatra. O resultado da glicemia em jejum foi 346, nunca vou me esquecer daquele número.

 

Partimos então em busca de um especialista (médico endocrinologista) nas cidades vizinhas, pois em minha cidade não havia nenhum. Foi quando uma médica amiga da família indicou a Dra Carmem Alice C. Rezende, na cidade de Pouso Alegre, que foi um anjo em nossas vidas. Ela acompanhou toda minha infância até a juventude, e nos ensinou como seria viver e conviver com uma doença auto-imune, que não tinha cura.

Mais do que prescrever um tratamento, esta médica foi uma verdadeira educadora em diabetes, e incentivadora em buscarmos sempre por informações e os melhores tratamentos.

Aos 22 anos me formei e me mudei para São Paulo, quando passei a fazer o tratamento com a Dra Mariana Vilela Pereira. "Nosso santo bateu" de cara, e ela passou a cuidar também de minha irmã mais velha, que veio a desenvolver o diabetes tipo 1 alguns anos depois. Mais do que uma médica, ela se tornou uma amiga.

Naquela época, de meu diagnóstico, os recursos eram muito limitados, e sequer existia glicosímetro disponível para os diabéticos (somente no consultório de médicos). Fazíamos o exame de glicose na urina (Glicofita).

A alimentação era mais regrada, e não tinha muita liberdade, em função das insulinas com efeito de pico (NPH). Era muito difícil fazer o controle com tão pouco recurso, e o controle era "às cegas".

Com o tempo as coisas foram mudando, com a chegada dos glicosímetros para monitoração domiciliar, novos alimentos diet no mercado, novos tipos de insulina, novas seringas e agulhas mais finas e curtas, e cada evolução era uma vitória para se ter qualidade de vida e uma saúde melhor.

Nos muitos anos convivendo com o Diabetes, passei por diversos tipos de tratamentos...

 

De 1993 a 2000

- Insulina NPH em múltiplas doses, associada a insulina Regular

- Insulina Lenta, associada a insulina Regular

De 2001 a 2008

- Insulina Glargina e Lispro (Lantus e Humalog), associadas à Dieta de Contagem de Carboidrato

- Insulina Determir e Aspart (Leveir e Novorapid), associadas à Dieta de Contagem de Carboidrato

 

Até que em 2008 fiz o teste com o Sistema de Infusão Contínua de Insulina (SICI), mais conhecido como Bomba de infusão de insulina, com o qual obtive o melhor resultado de tratamento. Passei a utilizá-la a partir de 2009 e sigo até hoje.

Com a bomba de insulina utilizo apenas a insulina Aspart (Novorapid), associada à dieta de Contagem de Carboidratos. Isso me garante muito mais autonomia com relação à alimentação, e diminuição das hipoglicemias.

Utilizo o modelo Accu Check Combo da Roche, que me permite ter mais discrição com a bomba, já que todo o manuseio pode ser feito pelo Glicosímetro (Smart) que funciona como um controle remoto da mesma. Além disso, com as configurações que o médico faz, basta eu inserir a quantidade de carboidratos de minhas refeições e o controle já sugere a dose necessária de insulina. Tudo isso tem tornado minha vida mais prática, e o controle mais fácil.

Recentemente passei a utilizar também o monitoramento contínuo de glicose (flash monitoring) através do sensor FreeStyle Libre. Trata-se de um sensor que lê a glicose do líquido intersticial (que corre entre as células), e repassa as informações ao leitor (basta aproximar), que mostra o valor da glicemia do momento e o gráfico das últimas 8 horas.

Este sensor é um coadjuvante no controle, pois conseguimos visualizar o comportamento da glicemia nas diferentes horas do dia, e em função da alimentação e medicação, e assim tomar as ações corretivas necessárias.

Ao todo são 28 anos convivendo com o Diabetes. Sou grata por ter tido profissionais e uma família que sempre me apoiaram, me incentivaram, e me deram a liberdade para eu aprender a cuidar de mim e me tornar independente. Pude ter uma juventude sadia, aproveitei todos os momentos que uma pessoa jovem pode viver. Sempre estudei muito e obtive sucesso em meus esforços, e sigo trabalhando, vivendo uma vida normal, como de qualquer pessoa.

Saio, namoro, estudo, viajo, tenho uma vida completamente normal, claro, com alguns ajustes e planejamento, sempre.

Não tenho nenhuma sequela decorrente do diabetes, e mesmo sabendo que meu controle não é perfeito, sei que me esforço para que o meu futuro seja sem complicações, e com muita saúde.

Tenho esperança de novos tratamentos, e mesmo a cura para o diabetes. Por isso, busco cuidar de minha saúde para que, quando este momento chegar, eu possa usufruir de todos os recursos a favor de minha saúde.

São os sonhos e as esperanças que nos motivam a nos cuidar melhor, e esperar por dias melhores!